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declarações de amor (I)

21/04/2009
Adeus, Princesa, Capa de Jorge Columbo

Capa de Jorge Columbo

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Não quis acreditar, mas ela sorria-lhe na escada sem luz. Tinha emagrecido, muito pouco, não lhe ficava mal. Tão bonita, tão escura. Tão redonda, gritou-lhe Sebastião Curto de um canto qualquer da memória.
– Posso entrar?
– Bárbara Emília, tu tem cuidado com o que fazes. Tu entra, tu entra se tu quiseres, mas eu aviso-te, eu aviso-te, Bárbara Emília, se entras já não sais. Eu aviso-te, Bárbara Emília, vê o que estás a fazer. A carne é fraca.
Ela sorria, vitoriosa.
– Eu sei. Eu sei que a carne é fraca.
Sem se voltar, fechou a porta da rua atrás de si. Tinha uns dentes magníficos.
– Mas o molho é óptimo, Joaquim Peixoto.

Clara Pinto Correia, Adeus, Princesa, 1985

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.disfarçando algum tédio, deu-me para coleccionar declarações de amor, serviço público para usar em privado. começo com um dos mais belos finais de romance que li na vida. acontece a quem só leu meia dúzia.

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