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Irão, Tudeh, orfãos

17/06/2009

A defesa dos regimes mais indefensáveis, da China e agora do Irão, feita pelos órfãos do glorioso partido comunista da união soviética suponho que se explique pelo anti-imperialismo primário, uma patologia onde todos os governos que se opõem ao império são bem vindos, na suposição ingénua de que o inimigo do meu inimigo, meu amigo é.

É a orfandade do império do bem, a velha urss farol da terra agora no fundo do mar, e o pavor ao império do mal, que para quem nada mudou será sempre o mesmo, ámen.

No caso da China tem o caricato de não entenderem que esse reino do mal, o imperialismo estádio supremo do capitalismo, se está a mudar para ali. E que já não era nada mau dar-se essa transferência com danos bélicos limitados.
tudeh

No caso do Irão é uma ironia por amnésia: esquecem-se que a revolução popular de 1979 se exilou a monarquia em seguida esmagou a esquerda.

Num clássico caso de revolução traída, a partir de  1982 milhares de militantes do Tudeh (partido comunista iraniano) foram presos e executados, levando à condição de exilado um partido que pouco antes vira em Khomeini um aliado progressista e anti-imperialista, visão recorrente quando ao sair da longa noite neste caso xávista (é do Xá, não é gralha) em vez de se consultar um oftalmologista se vai a uma multiópticas soviética comprar umas armações com oferta das lentes. O barato saiu-lhes caro.

Se lessem o que anda a dizer o comité central que sobra ao Tudeh

“Coup d’etat of a deceitful and backward regime against the will of millions of Iranians – Millions of rigged ballots for Ahmadinejad”

talvez ganhassem algum juízo.

Khosrow Roozbeh

Khosrow Roozbeh, comunista iraniano no poste onde vai ser fuzilado: "não me tapem os olhos, não tenho medo da morte", 11 Maio de 1958

Khosrow Roozbeh, comunista iraniano no poste onde vai ser fuzilado: "não me tapem os olhos, não tenho medo da morte", 11 Maio de 1958

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