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Vida Colonial: cortadores de cabeças

01/07/2009
João Telles Grillo, Prisioneiros de guerra na columna de Molundo em 1905

João Telles Grillo, Prisioneiros de guerra na columna de Molundo em 1905, sob o commando do capitão Alves Roçadas

Illustração Portugueza, No. 139, Outubro 19 1908 – 9, reproduzido desta Ilustração Portuguesa

Não desistiu Roçadas de aprisionar o soba, morto ou vivo, e assim organizou a sua perseguição com colunas móveis, compostas de auxiliares portugueses e boers, sendo o soba, passados três dias, encontrado morto, com a carabina ao lado, numa mata de espinheiros a norte de Handjabero.

Cortada a cabeça do cadáver, foi trazida para o acampamento onde a reconheceram muitos dos auxiliares brancos e os prisioneiros, que mostravam a sua satisfação exclamando: «Quêto ! Quêto !»

(…)

Não se veja nestes métodos de guerra desumanidade ou violência escusada. A vitória não seria decisiva sem a prisão do soba, vivo ou morto. Foi esta orientação, reconhecida como lógica, que levou António Enes a prever no seu plano de operações de 1895, em Moçambique, o aniquilamento do Gungunhana, que Mousinho conseguiu aprisionar em Chaimite, a 28 de Dezembro, pondo, assim, termo decisivo à gloriosa campanha deste mesmo ano.

Também foi essa mesma orientação que levou ainda Mousinho a mandar cortar a cabeça do Manguiguana, morto após o combate de Macontene, na segunda Campanha de Gaza em 1897, para que fosse vista e reconhecida pelos indígenas, tendo para tal fim sido metida numa lata com álcool, que – pormenor macabro, contado por Aires de Ornelas – a mãe do régulo, a quem a lata fora confiada para conduzir, ia bebendo pelo caminho!…

Jorge Deillot, Esboços Angolanos

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