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Parábola do Camarada B. segundo Carlos Rates

07/11/2009

petr13

o camarada B. tinha toda a confiança do soviete de
Petrogrado cabia-lhe transportar dois soldados brancos
descobertos pelos anarquistas até ao comando militar
onde seriam fuzilados. o camarada B. era

magro tuberculoso, de uma actividade espantosa, sempre
alerta eloquente confuso, com os seus belos olhos azuis
cheio de juventude e sempre animado de entusiasmo. tinha

passado dez anos na prisão durante a sua vida de revolucionário.

o camarada B. encontra-se de revólver à cinta sentado
em frente dos dois prisioneiros pálidos
no automóvel que desliza para S. Pedro e
S. Paulo. de vez em quando lança um olhar
através da vidraça do carro um olhar

sobre a rua que desaparece. lembra-se do dia
em que o conduziam a ele próprio
igualmente preso, a caminho da mesma fortaleza
pelas mesmas ruas.

o carro aproxima-se da porta da Trindade. a flecha dourada de Pedro e Paulo brilha no céu dominando as casamatas.

– alto! – grita o camarada B. o automóvel pára a duzentos
metros do portão da cidadela. o camarada B. diz-lhes,
apontando as ruas desertas:
– vão-se embora.

o camarada B. sente neste momento, um alívio que tu não podes imaginar. o camarada B. parte perdido
objecto exposto

na Revolução de Outubro em Novembro de 1917.

(feito a partir de uma narrativa de José Carlos Rates (entrada manhosa da Wikipédia), fundador e 1º secretário-geral do PCP, incluída em A Rússia dos Sovietes)

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